sábado, 20 de novembro de 2010

O PORTO

Teu amor pra mim é como
Um marco sinalizando a vida.
Como aqueles velhos portos
Onde se ancoravam navios de vento,
Onde se respirava de novo os odores
Terrestres e sentia a terra firme sob os pés.
Onde se encontravam velhos conhecidos
Onde se aprendia de novo a caminhar
E ouvir o burburinho das cidades.
Teu amor pra mim é como o vinho
Que se bebiam festejando a chegada.
O leito branco e macio
Os sussurros secretos dentro da noite
E as canções que a embalavam.
Esse amor desfaz o mundo em fumaça e porto.
Você é esse porto!
E a poesia ancorada nele.
Um porto distante de tudo,
Em outro mundo que se dissolve,
Que me falta e me move.

Claudia Morett

INTIMIDADE

Sinto essa profunda falta de alguma coisa
sem saber ao certo o que é,
essa fome esse esse vazio
isso quase sempre me atormenta
perguntas que não calam
saudades que nunca cessam
tardes vazias ausências se incidem
falta tua essa minha amor que não tem fim
Intimidade e poder descansar nossa vida no colo de alguém.

ANDRÉ RUIZ

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

CÁLICE DAS PALAVRAS

Certas palavras devem ser
soltas devagarinho,
para irem construindo
lentamente nossos sentimentos
e expor a nossa alma,
sem a desnudar completamente.

A tarefa de desnudar
a alma (e o corpo), é do coração,
e esse só a completa,
quando do cálice das palavras já
está transbordando o amor.

Espera com paciência até cair
a última gota que falta.

J'amour

domingo, 17 de outubro de 2010

E O RESTO É SILÊNCIO...


E então ficamos os dois em silêncio, tão quietos
como dois pássaros na sombra, recolhidos
ao mesmo ninho,
como dois caminhos na noite, dois caminhos
que se juntam
num mesmo caminho...

Já não ouso... já não coras...
E o silêncio é tão nosso, e a quietude tamanha
que qualquer palavra bateria estranha
como um viajante, altas horas...

Nada há mais a dizer, depois que as próprias mãos
silenciaram seus carinhos...

Estamos um no outro
como se estivéssemos sózinhos...

J.G. DE ARAÚJO JORGE

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

EXPRESSANDO...PAIXÕES

A vida é feita de paixões...

O sentimento expresso é de paixão,
agora me encontro apaixonada pela vida,
por mim mesma, me descubro passo a passo,
como uma dança.

Aprendendo a me conhecer por dentro,
numa viagem interior a desbravar,
para então verdadeiramente APAIXONAR-ME!

Avalio e pondero meus sonhos,
meus planos e daquilo que já não me faz guarida,
lanço como papel amassado pela janela.

Sente as palavras minhas?

Somos assim, uns expressam-se
por palavras, outros pelas melodias,
há os que se lêem pelo olhar,
também aqueles que das pinturas emanam
emoções puras e verdadeiras.

Não somos todos iguais, e nesta diferença,
por ora encontramos expressões
que refletem o nosso sentir...

Faço destas palavras o melodiar do meu trilhar.

SILVIA COSTARDI

terça-feira, 5 de outubro de 2010

ESCONDERIJO DO AMOR E POESIA

Bailavam meus sonhos
Pela alta madrugada
Eu decifrava os enigmas
Mas não entendia nada
Procurava a minha paz
Na escuridão da rua
Na solidão do meu deserto
Ou na alma da menina lua
Calada meiga e serena
Demonstrando que o amor vale à pena
Refletindo se olhar no mar
Num toque de astros do universo em verso
Mostrando-me a alegria da noite fria

E o caminho do esconderijo do amor e da poesia
Onde eu irei repousar o meu cansaço
E encontrar enfim o meu mais perfeito acorde
Minha melodia
E a harmonia do meu mundo
Em perfeita sintonia.

Everson Russo

domingo, 3 de outubro de 2010

DO AMOR

Esta vista cá da montanha,
deixa-me dolorida, imensidão
terrivelmente solitária.
Procuro bálsamo para o coração,
talvez o sol aquecendo,
a lua prazeirosamente banhanhando
com seu olhar.
Ah, natureza, bela arte de Deus!
Meu olhar vai longe a procura
do amor!

Marta Peres

terça-feira, 28 de setembro de 2010

PLENITUDE

Preciso abrir as janelas da alma
deixar o vento adentrar
em meu tempo completo, incessante,
respirar flutuando o céu liquefeito
com as luzes de um ocaso
que chega sem avisar

Guiar-me pelas estrelas
soltando as amarras
em busca do mar da tranqüilidade,
levando comigo apenas
bagagens da vida, lembranças sem idade
e o amor à beira do tempo
em grades de brisa

Canto agora em silêncio,
as retinas se calam
e o tempo com seus ponteiros
e pêndulos tortos,
anunciam a tua companhia ausente
no pensamento que me fala.

Conceição Bentes

domingo, 12 de setembro de 2010

DÁDIVAS DE OUTONO


Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

PARALELAS

Quando te encontro assim,
num doce perfume de existência,
guardado carinhosamente no
cantinho do meu peito,
nada temo da vida.

Somos duas paralelas atravessando o tempo,
sem medo nem distâncias,
guiadas pelas mãos do dia,
suave, acima, sempre.

Até que a morte nos separe.

Rosy Moreira

terça-feira, 7 de setembro de 2010

MEUS REVERSOS

Sou assim faço rima
da alma a melhor melodia
pedaços inteiros de mim
e nos meus reversos
a poesia que nasceu de ti.

E então eu amo,
me revelo
me mostro inteiro
em plena luz do dia
ou na glória
de uma noite
de lua cheia
lobo alcatéia
uivo de amar.

Homem lobo verso rima poesia
inteiro a noite ou meio dia
meus reversos de amor
poesia que nasceu de ti
minha melhor melodia.

ANDRÉ RUIZ

VEM SEM RECEIO...

Vem sem receio: eu te recebo
Como um dom dos deuses do deserto
Que decretaram minha trégua , e permitiram
Que o mel de teus olhos me invadisse.

Quero que o meu amor te faça livre,
Que meus dedos não te prendam
Mas contornem teu raro perfil
Como lábios tocam um anel sagrado.

Quero que o meu amor te seja enfeite
E conforto, porto de partida para a fundação
Do teu reino, em que a sombra
Seja abrigo e ilha.

Quero que o meu amor te seja leve
Como se dançasse numa praia uma menina.

Lya Luft

ASAS DA ALMA

Com todos fui apenas uma prisioneira,
Mas em tuas mãos minh’alma criou asas,
Sobrevoei com elas por sobre as casas,
Brancas com patamares de amoreiras.

O crepúsculo pintava o horizonte de cores,
De uma vermelha cor, de sangue bem vivo,
E rabiscos amarelos, formavam um atrativo,
Semelhante a um mar, de belas flores.

Entretanto não entendeste o meu recado,
Que ficou perdido entre o sussurrar do vento,
E senti meu coração doído naquele momento,
Que cortastes as asas, que me havias dado.

Marco Orsi

domingo, 5 de setembro de 2010

SEM ASAS APENAS COM A PENA E NANQUIM

E como um pássaro
me dispo das asas
para poder voar
nas palavras
que saem da tua boca.

Acordando assim páginas que vão
bem mais além
do que o simples ato de escrever,
alguns pecados, pequenas
confissões, segredos de amor.

Quem se conhece
por poesia ama,
realmente ama
e se apaixona primeiro
pela alma
sem asas apenas
pena e nanquim.

ANDRÉ RUIZ

BENDITA


Quando me vi,
vela apagando,
você chegou,renovando minha fé,
feito oração na catedral da descrença.

Resgatou esquecidos desejos,
apagou o pó das minhas revoltas,
varreu as migalhas das minhas inquietações.

Parece-me que seu amor
tem a rima certa,
quando me vejo fraca.

Não avisa,não insinua,
apenas vem,de mansinho,
caminhando invisível dentro de mim.

Bondade de Deus não me faz sagrada,
mas me torna bendita.

Rosy Moreira